Esse
ano, para mim, foi marcado por revelações de Deus. Deparei-me com verdades que,
apesar de muito doídas, estão trazendo muita libertação para minha vida. Todos
temos um limite. Não sei se cheguei no meu, mas fui bem perto disso... E descobri
que um dos preços da maturidade é deparar-se com quem somos de verdade. Sem máscaras
e idealizações. Sem maquiagem e disfarces.
Normalmente,
esse encontro não ocorre quando tudo vai bem. Mas sim, na angústia existencial
que promove autoconhecimento, crescimento espiritual e mudança. Sim. Porque uma
vez que se toma conhecimento de sua verdadeira identidade, já não se pode mais
estar no mesmo lugar de antes.
A
Fenomenologia Existencial explica que a existência é “o leite derramado”, é o “estar
aí” para viver e ser, sem ter a opção de escolha em existir ou não. Podemos
viver distraidamente ou não, mas estamos existindo de qualquer maneira. Diante
disso, descobri que o único consolo para o leite derramado da existência é a
Graça, vivenciada em Cristo. Quando começamos a compreender que somos amados e
aceitos incondicionalmente por Deus, temos paz pra repensar o mundo, para fazer
a leitura correta de nós mesmos, nossos amores, nossos valores, nossas
verdadeiras crenças.
Observe
que, sem a graça de Deus, as definições mais fortes que você nutre a respeito
de si mesmo, nunca são as mais fortes que te ajudam a construir os alicerces
para gerar uma vida feliz. Isso quer dizer que, frequentemente, o que está mais
solidificado é o desprazer, é aquilo que você não quer ser, é o medo ou a
própria sensação de inutilidade para a vida.
Existem
mecanismos de defesa que a Psicologia explica bem. De forma simplista, esses
mecanismos são formas de a pessoa proteger a sua imagem. Temos, como exemplos,
o cara que é o “bom moço”, que quer se mostrar bonzinho pra agradar todo mundo;
o autoritário que, no fundo, é inseguro,
precisa de uma imagem de líder autoritário como fachada para esconder um medo;
a mulher que se mostra auto-suficiente para esconder uma auto estima destruída...
Máscaras!
De
alguma forma, todos desenvolvemos esses mecanismos que podem ser muito ou pouco
prejudiciais. Mas, em algum momento da vida, a máscara cai... E aqueles
mecanismos que usávamos para tapar o buraco, não serve mais. Aí é o lugar onde
Deus nos olha nos olhos e nos propõe a cura.
A
cura de Deus só é liberada na ausência de máscaras, porque ela está intimamente
condicionada a uma vida autêntica, livre de barreiras que nosso ego constrói
para não lidar com as dores da nossa existência.
Vivemos
numa sociedade hipócrita, que não facilita a autenticidade. Tudo tem que ser
perfeitamente aceitável, ajustado e sem imperfeições. E esse é o retrato de
tudo que não somos. Ter consciência disso hoje, é remar contra a maré, é o contrafluxo. Pensar sobre si, a reflexão introspectiva, por si só já é um
desafio.
Mas,
o caminho para a cura de Deus é esse: começar a abri mão de mentiras,
falsidades, máscaras, inautenticidades. É a revelação de quem somos!
Muitos
de nós foram feridos de maneira cruel. E essas feridas promoveram em nós maneiras de viver que aliviem a dor, que não nos façam pensar em quão imperfeitos
somos. No entanto, você é muito mais do que o que os outros fizeram com você.
Quantas
sentenças se tornaram irrevogáveis pelo simples fato de não questionarmos
absolutamente nada! Quantas mentiras se maquiaram de verdade ainda sustentadas
por você?
Qual
é a sua lista de atitudes inautênticas? O reconhecimento de que elas existem já
é um passo, pois mentir pra nós mesmos é, além de perda de tempo, a pior
maneira de se desrespeitar. O reconhecimento de quem se é, de verdade, é
indispensável para a construção da firmeza de caráter. Sem ele, nos tornamos
cínicos e petrificados de coração.
Somente
a cura de Deus, através de sua graça, nos ajuda a interpretar as circunstâncias
vividas da maneira real e correta, sem eleger carrascos e projetar nas pessoas
o que está dentro de nós. Ela nos ensina a parar de entender as circunstâncias
resumidas em Deus, se forem boas, ou tudo no “diabo”, se forem más.
Uma
interpretação correta de nossas experiências gera cura e libertação. Nos livra
de caminharmos em círculos, nutrindo perguntas sem respostas e dando a elas uma
importância superestimada. Uma vida inautêntica só nos mostra respostas
simplistas e insuficientes. Não promove mudança prática. Não nos tira do
calabouço que é viver escondidos atrás de nossas máscaras.
Somente
a graça de Deus nos capacita a crer que podemos ser mudados. Somente por ela,
percebemos que, quanto mais bagunçados nós estivermos, mais somos recebidos com
amor e cuidado. Podemos ser gratos porque temos um Deus que se importa! A disponibilidade
de sua graça prova que ele pode ser tocado!
Deus
tem interesse real em realizar isso em nós. Basta que o busquemos. Será
doloroso, é certo. O caminho de volta é o deserto por onde você vai enfrentar
dias difíceis. Mas, esteja certo: nunca faltará alimento e abrigo! Deus
disciplina e corrige somente aqueles a quem Ele ama. Se você está nesse caminho,
nesse processo doloroso de conhecer seus descaminhos, bem vindo ao coração do
Pai. Há segredos de Deus guardados para você! (Jeremias 33:3)