O
Existencialismo é uma filosofia que considera a existência como ponto de
partida para a sua reflexão. Tal abordagem afirma que a angústia existencial é
o processo em que o indivíduo volta-se pra si mesmo, numa busca de entender seu vazio. É o processo pelo qual
todos um dia passarão, no qual as distrações da vida não farão mais sentido e a
única saída é procurar o real significado da existência. Esse é o cerne da Fenomenologia
existencial, que explica bem o processo de auto conhecimento humano. No
entanto, onde ficam extintas as explicações do existencialismo, Deus começa sua
pedagogia.
A busca
por sentido só será inteiramente satisfeita no encontro do homem com Deus. Com
efeito, o vazio do coração do homem tem o tamanho exato de Deus. Porém, o
conhecimento de Deus, se não for alcançado pelo viés de uma experiência vivencial,
nada produzirá de transformação no homem, a não ser conhecimento puramente
teórico.
À medida
que conhecemos Deus, entendemos o quão sábios são seus ensinamentos. A Bíblia,
como livro de referência, não supera aquilo que criamos conceitualmente em nós
mesmos através do caminhar com Jesus em nós, da experiência cotidiana com ele. O
processo de conhecimento de Deus é individual, é intrínseco, deve surgir como
uma vivência completamente particular.
Isso
explica por que o relacionamento com Deus não é algo mensurável, quantificável
ou qualificável por meio das pesquisas científicas. A ciência nunca conseguirá
comprovar, com instrumentos práticos, a existência de Deus, porque a existência
de Deus só é reconhecida em nós mesmos. Minha experiência com Deus comprova para
mim sua existência. Já sua experiência com Deus pode ter outros delineamentos e
peculiaridades que são conhecidas somente por você e Deus. Assim, a existência
de Deus se comprova na vivência de cada um com ele.
Os conceitos
e novas formas de vida que surgem desse caminhar junto com seu criador, vão em
contrafluxo do que o homem aprende em sociedade. Aparentemente paradoxais, os
conceitos de amor e graça no mundo moderno são como uma peça perdida de um
quebra cabeça desconhecido. Nunca conseguiremos, de fato, experienciar em sua
totalidade o amor e a graça de Jesus, porque fomos ensinamos a nos colocar no
centro, a priorizar e buscar o próprio prazer e satisfação a todo custo e,
quanto mais rápido isso for alcançado, melhor. No entanto, o caminhar com Deus
anda na contramão de qualquer conceito hedonista.
Na
verdade, o auto conhecimento associado à caminhada com Deus promove no homem um
esvaziar-se de si e voltar-se para o outro. É um processo de cuidar do
outro através do cuidado de si mesmo. Ame ao próximo como a si mesmo. Esse
movimento de tirar-se do centro melhora qualitativamente os relacionamentos
interpessoais do homem e, por isso mesmo, muda o mundo ao ser redor.
No caminho
com Deus, você descobre o caminho do seu próprio coração. E vê que as lições
que vieram prontas não geram resultados, e é necessário vivenciar algo único e essencial.
Sim. Deus é um Deus de caminhada. Ele vai junto. Sofre junto. Se alegra junto.
Conquista junto. Mas, é um passo de cada vez. Porque Deus sabe quem somos,
conhece nossa estrutura e sabe que qualquer mudança instantânea não geraria em nós
aprendizado com consciência, nem mudanças efetivas em nossas vidas.
Particularmente,
existem traços em mim que gostaria que fossem transformados instantaneamente;
quem dera aquilo que nos imperra nossa personalidade em ser mais livre, que
impede nossa completa saúde emocional fosse ligeiramente transformado, revisto
ou abandonado. Mas, afinal, qual seria o propósito efetivo disso? Caminhando
junto com Ele, você entende que o fim que espera não é tão importante quanto o
durante. O processo pelo qual passamos até chegarmos onde desejamos gera em nós
uma aprendizagem tão importante e crucial ao nosso crescimento como pessoa, que
o fato de chegarmos onde queríamos se torna um detalhe.
Deus nos
transforma gradualmente. Ele vai na contramão da pressa do mundo. O exercício
da paciência e do descanso são tão difíceis porque vivemos em uma sociedade em que a rapidez define a eficiência das pessoas. Os processos são muito rápidos,
é necessário ter várias habilidades, o fluxo de informações torna possível
saber de tudo ao mesmo tempo, os prazeres e satisfações das experiências tem
que vir rápido, tudo é instantâneo, até a comida virou "fast food"...
No
entanto, em nenhum outro momento histórico, o homem foi tão doente e vazio de
si mesmo. A essência do homem não foi criada para processar as mudanças tão
rapidamente. O tempo, que deveria ser aliado do homem, hoje é visto como seu
maior inimigo. Corremos contra o relógio para darmos conta de todas as tarefas do
dia a dia. Mas, é no relógio de Deus onde encontramos a calma pra respirar,
repensar, refletir, sossegar, caminhar no compasso Dele, voltar a ser quem
somos de verdade.
Desconfio
de algumas pessoas e instituições que pregam cura e transformação instantâneas.
Não consigo mesmo compreender que "surto psicológico" é esse que
apaga traços da personalidade humana num piscar de olhos... Os delineamentos da
personalidade humana se desenvolvem e se solidificam durante toda a vida. Não é
fácil para o ser humano mudar algo que ele vivenciou durante toda a sua vida.
Por isso mesmo, para que haja mudança, é necessário um processo, que às vezes é
lento, dependendo da rigidez ou flexibilidade e, principalmente, da
disponibilidade de cada um para mudar.
Na pressa,
Nós nos perdemos no caminho. São tantas
exigências a serem atendidas. São tantas obrigações e tantas expectativas em
torno de nós, que deixamos em algum lugar do caminho o essencial... Nos
tornamos perversos com nós mesmos.
As pessoas
somatizam doenças psicológicas, criam conflitos, surtam, se debatem. Se tornam
tão infelizes por querer entender, por tentar explicar tudo, mas não querem pagar
o preço de dar um passo de cada vez. Eu quero e quero agora. E se não for
agora, vou procurar outros meios. O problema é que outros meios que nos deserdam da grandiosa bênção de caminhar com
vida.
Deus tem
saúde para nós. Saúde para o corpo, para a mente. Deus é o criador de toda
estrutura psicológica. Não surpreendemos Deus em absolutamente nada. Deus
conhece nossos limites, nossas potencialidade, nossa força, nosso cansaço. Deus
não nos perde de vista e não abre mão, sob hipótese alguma, do seu Trono.
Outro dia
conversando com um amigo, dividindo e compartilhando essas coisas da vida, eu
falava para ele como eu sempre preferi as pessoas angustiadas e questionadoras,
porque elas me pareciam mais profundas e mais suscetíveis a mudar. Ele, uma
pessoa que possui uma profundidade estranhamente linda, também traz consigo uma
grande tristeza residual por respostas existenciais que procura há anos, sem
contudo chegar a uma solução satisfatória. A palavra tristeza aqui soaria mal
se não houvesse em todo seu quadro uma clara tendência ao crescimento e
amadurecimento como pessoa e como alguém que caminha com Deus.
Talvez o
momento histórico de sua vida não tenha exatamente as definições que você
sonha, mas se você caminha com Deus, passo a passo, é certo, você chegará bem
ao seu fim, com vida, e vida em
abundância.