Feliz
é aquele que chora. O choro lava a alma da apatia, frieza e indiferença que
corrompem a natureza humana. Há consolo para esses, que não se deixam dominar e
serem consumidos por suas próprias mazelas, mas sentem na pele a dor do outro
e, por isso, preservam sua condição de ser gente. Deus os consolará.
Feliz
é aquele que ama, sinal maior da humanidade interior redimida. Aqueles que,
para além dos resultados imediatistas materiais, guardam consigo os frutos da
própria humanização apreendida a partir do outro. Não
proferem discurso, tampouco esperam aplausos, pois sabem que o amor e a
misericórdia não são escravos de preço algum. Aqueles que, mais que o
pensamento, preferem o ato, mais do que o desejo, escolhem o
gesto... Esses alcançarão amor e misericórdia.
Feliz
é o que sabe que não sabe de nada. O que não se deixa ser marcado pelo sucesso
como sinal de grandeza interior, nem pela riqueza material como referencial de
bênção. São os simples, que não buscam as aparências, autênticos em sua
condição de seres humanos limitados e falíveis... Felizes os pobres de
espíritos que, conscientes de que o amor não se compra, deitam e dormem em
tranquilidade, porque não pastoreiam a si mesmos, não carregam consigo mentiras
e elogios vendidos, não estão interessados em dar a última palavra nas
discussões e nas decisões. Pequenos e insignificantes aos olhos do mundo... Deles
é o reino dos céus!
Feliz
é quem tem fome de justiça. Esses procuram por cinco pães e dois peixinhos para repartir
com os que não tem. Multiplicam recursos postos à sua disposição para levantar
os que estão no chão, investem tempo, tem coragem de denunciar o
que está mal no mundo... Felizes são esses que conhecem as sarjetas, vão às
margens para resgatar, melhorar, fazer diferença. Como Jesus fez, fazem uma
leitura do tempo e conseguem enxergar, além da pobreza, formas de superação.
Esses serão satisfeitos.
Felizes
são os puros de coração, aqueles que não vivem uma vida dupla. Aqueles cujas
intenções estão sempre a mostra. Diferentes dos que abençoam e amaldiçoam ao
mesmo tempo, que elogiam fácil, mas a crítica fica guardada no sorriso, os
puros são um sinal do Cristo na Terra. Os puros de coração são aqueles que
estão dispostos a caminhar a segunda milha, porque há muito já entenderam que
ter um coração duplo, morno, rígido e rancoroso, é a maior fraqueza e a real
tragédia para a saúde emocional de uma pessoa. Eles tem sede de serem
purificados, se apegam às boas obras, ao invés de se limitarem com um estilo de
vida baseado no reconhecimento. Ser puro é ser liberto das prisões do próprio
eu. Por isso, sem fuga e sem medo, esses verão a Deus e Deus os verá.
Felizes os que promovem a paz. Os
que olham o mundo e entendem que Deus quer que eles se envolvam
na transformação deste mundo. Não pedem para serem tirados do mundo, mas estão
sempre atentos para irem além da crítica e se assentarem na roda dos que
realmente se importam. Feliz é o que apazigua. O pacificador é bem-aventurado
porque, diferente do que o ofende, ele deixa a justiça para Deus. Mais do que
exigência, esses evidenciam a Graça. Mais do que detectar a fome, esses buscam
a Paz como alimento. Ao invés da opressão, lutam pelo alívio. Não com força,
mas com diálogo. Eles serão chamados filhos de Deus!
Felizes
são esses, que caminham em busca desses valores atemporais de Deus. Eles tem propósito
para viver. Sabem o que estão fazendo, quando e por que estão fazendo. Se
perseguidos, se alegram, pois estão certos de que uma grande herança
encontrarão no céu.