O sermão da
montanha começa com o silêncio. Não há palavra alguma. "Vendo as
multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou...". Jesus vê no meio da
multidão os seus discípulos se aproximarem dele. E então se dirige a eles... Ao
chamá-los, os discípulos respondem com obediência. A obediência é, assim, o
primeiro passo no caminho de se tornar discípulo. Diante do chamado de Jesus
"segue-me", os discípulos não conseguiam enxergar nada mais
importante na vida do que segui-lo. Nada lhes traria qualquer significado
existencial.
Ser multidão ou
ser discípulo? Onde você está?
Os motivos para
que a multidão seguisse Jesus eram legítimos e óbvios. Jesus fazia milagres,
multiplicava pães, peixes, operava maravilhas, curas e libertações. Jesus tinha
misericórdia da multidão. Ele trazia esperança para aquelas pessoas. No
entanto, o que sobra em Jesus no entusiasmo, faltava no compromisso das
multidões em relação a Jesus.
A multidão segue a
Jesus por aquilo que ele pode fazer. Porém, a alegria e motivação dos
discípulos estavam centrados na pessoa de Jesus Cristo. No Deus visível que
andava com eles. O Ser de Jesus era o foco da sua busca e do seu encontro.
Jesus dirigia suas palavras para um grupo específico. Aquele que seria o maior
dos ensinamentos que Jesus pregou era direcionados aos seus discípulos.
As diferenças são
claras. A multidão tem um relacionamento utilitário com Jesus, busca crescer a
todo custo, e para isso lança mão de todo e qualquer esquema, enquanto os
discípulos buscam ser ovelhas de Cristo, aquelas que reconhecerão a sua voz,
uma vez que há um só rebanho e um só pastor (Jo 10.16); e, para isso insiste na
exposição da verdade que liberta.
A multidão busca o
imediato, o fim do sofrimento, da fome, da doença e bênçãos materiais. Os
discípulos buscam a vida abundante e apresentam a ressurreição. A multidão é a
expressão de indivíduos individualistas: buscando ter tudo o que, “pela fé”,
possam conseguir. Enquanto os discípulos são indivíduos em construção no
sentido de serem pessoas comunitárias: a doarem tudo o que a fé, que liberta
das posses, permite doar.
A multidão são
pessoas que querem desfrutar o mundo. Os discípulos exortam as pessoas a,
irmanadas, não se conformarem ao mundo, mas transformá-lo. Eles só querem mais
da vida de Jesus para, na vida, ser cada vez mais como Jesus. O Ser de Deus
está neles e, por isso, eles caminham em uma só direção: para a pessoa de Jesus
Cristo.
Cada cristão deve
submeter a si mesmo a esse crivo, para descobrir de qual referencial faz parte.
Embora sejam tentados a todo momento a serem como a multidão, os discípulos não
se rendem, porque se lembram de que o tesouro é Cristo. Com Ele, Nele e através
Dele está todo significado. Todo sentido para a vida neste mundo.
Tudo que um
discípulo quer é se parecer mais com seu mestre. A sua consciência é clara em
saber que com ele, vem tudo o que precisamos para ser como ele: gente como
gente deve ser, que carregam em si o Ser de Deus. E, por isso, são instruídos
por ele no seu caminhar.
Em Jesus temos
tudo que precisamos saber. Nele temos o modelo para nos diferenciarmos da
multidão e de toda essa poeira suja do legalismo que nos cega os olhos e só
evidência mais o fato de que procuramos subterfúgios para não sermos quem Deus
quer que sejamos. Deus espera de nós uma postura, embora a porta seja estreita
e o caminho apertado. Mas Nele somos capacitados a aceitar a cruz como
resposta. Escolha, decida, faça uma aliança com Deus, assuma o compromisso de
ser discípulo.