10 de setembro de 2013

“Tudo é vaidade”...




É interessante como em determinados momentos da vida nos deparamos com a veracidade dessa afirmação. Percebo que, à medida que tomamos mais consciência da nossa finitude e do quão limitados nós somos, mais ela se torna real de tal modo que, ao pronunciarmos, deixa de soar como mais um jargão evangélico para exalar verdade e sentido dentro de nós.
Quando tudo ao redor parece vazio, inacabado e torto,  contraditoriamente podemos perceber que sofisticamos demais as coisas... Fico pensando em até que ponto a igreja tem sofrido as transformações do nosso século. Fico pensando em quão distantes estamos do bom perfume de quando as coisas começaram e do propósito para o qual foram criadas.
Pensando no sentido real de algumas coisas, noto que algumas palavras perderam a força. Alguns gestos genuinamente bons se tornaram trampolim para a formação de uma imagem pessoal socialmente aprovável.
A Igreja virou um local de encontro. O discipulado virou conhecimento bíblico. A comunhão virou socialização. Adoração virou período de louvor. Serviço virou evento evangelístico.
Ai de mim... O que eu tenho feito do teu evangelho, Senhor? O que eu fiz de tuas verdades? O quanto eu as distorci para minha própria conveniência?
Viver nos dias de hoje, dói. Dói a incoerência, a irrelevância das coisas tomando o primeiro lugar no pódio. Dói a injustiça, dói a vergonha em saber que a dor do outro muito pouco nos comove. Dói ser indiferente quando deveríamos ser próximos. O vencido se alegrando sobre o vencedor. O valor real de uma pessoa se transformando em banalidade. Tudo é máscara. Tudo é vão. Nossa “pseudo-sofisticação” tem apenas nos afastado da simplicidade do que é viver com Cristo.
Sim, o chão desse caminho é triste. Mas é aqui que as coisas se processam. É aqui onde aprendemos duramente a ser gente. E tem gente que não aprende nunca...
Quem entende o que eu digo, sabe que dói, e os menos distraídos somatizam essa dor de perceber e, ainda assim, não mudar. Sabe que quanto maior essa consciência, mais doído é existir aqui.
Somos todos aprendizes no chão desse caminho. Eu, você. Somos feitos da mesma matéria. Nosso rio só delineia caminhos diferentes, porém não menos tortuosos.
E precisamos voltar às primeiras obras. Viver em verdade. Ouvir, não apenas escutar, a Palavra pra que a fé reacenda em nós.
Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude a voltar ao caminho.

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