É interessante como em determinados momentos da vida nos
deparamos com a veracidade dessa afirmação. Percebo que, à medida que tomamos
mais consciência da nossa finitude e do quão limitados nós somos, mais ela se
torna real de tal modo que, ao pronunciarmos, deixa de soar como mais um jargão
evangélico para exalar verdade e sentido dentro de nós.
Quando
tudo ao redor parece vazio, inacabado e torto,
contraditoriamente podemos perceber que sofisticamos demais as coisas...
Fico pensando em até que ponto a igreja tem sofrido as transformações do nosso
século. Fico pensando em quão distantes estamos do bom perfume de quando as
coisas começaram e do propósito para o qual foram criadas.
Pensando
no sentido real de algumas coisas, noto que algumas palavras perderam a força.
Alguns gestos genuinamente bons se tornaram trampolim para a formação de uma imagem
pessoal socialmente aprovável.
A
Igreja virou um local de encontro. O discipulado virou conhecimento bíblico. A
comunhão virou socialização. Adoração virou período de louvor. Serviço virou
evento evangelístico.
Ai
de mim... O que eu tenho feito do teu evangelho, Senhor? O que eu fiz de tuas
verdades? O quanto eu as distorci para minha própria conveniência?
Viver nos dias de hoje, dói. Dói a incoerência, a
irrelevância das coisas tomando o primeiro lugar no pódio. Dói a injustiça, dói
a vergonha em saber que a dor do outro muito pouco nos comove. Dói ser
indiferente quando deveríamos ser próximos. O vencido se alegrando sobre o
vencedor. O valor real de uma pessoa se transformando em banalidade. Tudo é máscara.
Tudo é vão. Nossa
“pseudo-sofisticação” tem apenas nos afastado da simplicidade do que é viver
com Cristo.
Sim,
o chão desse caminho é triste. Mas é aqui que as coisas se processam. É aqui
onde aprendemos duramente a ser gente. E tem gente que não aprende nunca...
Quem
entende o que eu digo, sabe que dói, e os menos distraídos somatizam essa dor
de perceber e, ainda assim, não mudar. Sabe que quanto maior essa consciência,
mais doído é existir aqui.
Somos
todos aprendizes no chão desse caminho. Eu, você. Somos feitos da mesma
matéria. Nosso rio só delineia caminhos diferentes, porém não menos tortuosos.
E
precisamos voltar às primeiras obras. Viver em verdade. Ouvir, não apenas
escutar, a Palavra pra que a fé reacenda em nós.
Que
Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude a voltar ao caminho.
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