3 de abril de 2013

A maior tarefa do ser humano.


E no meio de tanta coisa para fazer, e pensar, e produzir... Eis-me aqui, refletindo! E das infindáveis questões que, nessas horas me faço, hoje, penso no que faz de nós humanos, e, sobretudo, como nos desenrolamos nessa condição embaraçada que é EXISTIR.
Afinal, o que é o homem? É um ser-no-mundo correndo atrás de objetivos incansável e desmedidamente. A vida que lhe é dada não pede licença para jogar para ele sua existência. A gente é o que é. A tarefa precisa ser enfrentada a cada dia. E como é tão difícil, às vezes, para nós, a condição que a vida nos é dada! Quão pesado é o fardo de alguns nessa jornada!
Sem contar nas pessoas que carregamos dentro de nós ao longo da vida, através de conceitos, regras, avaliações, que, tantas vezes, foram aceitas e internalizadas sem nenhuma espécie de “triagem”. Bom mesmo é apurarmos disso tudo o que é nosso e o que não é, para nos conhecermos e reconhecermos com mais verdade. Especialmente quando a bagagem torna-se pesada demais...
Mas, quão difícil isso parece para cada um de nós?!... Como cada um de nós vivencia o fato de ser humano?
Somos temporalidade. Somos finitude. Somos nada, ausência, em busca da completude sempre. Sempre algo mais. E sempre faltará algo. Sempre haverá por quê buscar e levantar a cada manhã, sonhando com algo por-vir. Será que existe mesmo a tal plenitude que o homem, consciente ou inconscientemente, tanto almeja?
E existir, então, ser homem, ser humano, é isso. É "ser" se desdobrando nessas condições. De uma eterna ambiguidade entre ser e não-ser, de eterna busca, escolhas, de sempre efêmeras conquistas, sobretudo de eterna insegurança. Sim. Porque a insegurança é parte do que somos, assim como a finitude o é. A busca por segurança, enquanto humanos, é a negação de uma condição que é puramente humana.
Nesse emaranhado de conceitos que elaboramos para tentar distrair o fato de que somos esse difícil, ou quase indecifrável, ser-no-mundo, o que se torna realmente mais importante, é ouvir a própria existência. É tentar calar as vozes “das pessoas” dentro de nós, tentar calar a rude relação que tantas vezes estabelecemos com nossos afazeres diários, os medos, os pavores, as paredes que tão rigidamente construímos em volta de nós mesmos, e, com todo cuidado e empenho, ouvir a nós mesmos. Como existimos... Como nos desdobramos no mundo... Como administramos as situações, as vivências que a vida nos propôs... Eximindo o mundo da culpa por nossos muitos problemas, quem tem a tarefa de administrar tudo, somos nós mesmos. Então, como estamos elaborando esta tarefa?
A maior tarefa do ser humano, e mais nobre, é a inalienável tarefa de cuidar de ser. Sobretudo, de ser feliz. De cuidar de si. Do que se é, na essência. E ainda que protelemos ao extremo, é esta tarefa que baterá às portas da nossa consciência sempre que pararmos para refletir na vida. E por que protelamos? Por medo? Por que as máscaras nos tomam muito tempo? Por que nos angustiamos ou amedrontamos ao estar diante do que somos de verdade? Por que preferimos defender sempre que vida nos deve alguma coisa?
Sejam quais forem os motivos, não muda nada. A vida não deve nada a ninguém. E o acolhimento e força, sempre necessária, para mudar, sair do lugar em que se está e alçar vôos mais seguros e autênticos na própria existência, vem sempre de nós mesmos. É certo que podemos contar com alguma ajuda externa, mas, sozinha, essa ajuda morre em si mesma. Não adianta esperar, na exterioridade das coisas, a recompensa, a motivação, o ânimo necessário para fazer o próprio mundo se transformar em algo melhor. É nossa tarefa. Faz parte do nosso existir. Então, que as reflexões que venham surgir nessa travessia, que é a vida, representem sempre um convite para dentro de nós mesmos. Para conhecermos a nós mesmos. Para nos encontrarmos e construirmos uma nova forma de existir no mundo. Conscientes do que realmente somos, poderemos efetuar as mudanças necessárias para alcançarmos nossos potenciais, e sermos muito mais felizes.


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