E
no meio de tanta coisa para fazer, e pensar, e produzir... Eis-me aqui, refletindo!
E das infindáveis questões que, nessas horas me faço, hoje, penso no que faz de
nós humanos, e, sobretudo, como nos desenrolamos nessa condição embaraçada que
é EXISTIR.
Afinal,
o que é o homem? É um ser-no-mundo correndo atrás de objetivos incansável e
desmedidamente. A vida que lhe é dada não pede licença para jogar para ele sua
existência. A gente é o que é. A tarefa precisa ser enfrentada a cada dia. E
como é tão difícil, às vezes, para nós, a condição que a vida nos é dada! Quão
pesado é o fardo de alguns nessa jornada!
Sem
contar nas pessoas que carregamos dentro de nós ao longo da vida, através de
conceitos, regras, avaliações, que, tantas vezes, foram aceitas e
internalizadas sem nenhuma espécie de “triagem”. Bom mesmo é apurarmos disso
tudo o que é nosso e o que não é, para nos conhecermos e reconhecermos com mais
verdade. Especialmente quando a bagagem torna-se pesada demais...
Mas,
quão difícil isso parece para cada um de nós?!... Como cada um de nós vivencia
o fato de ser humano?
Somos
temporalidade. Somos finitude. Somos nada, ausência, em busca da completude
sempre. Sempre algo mais. E sempre faltará algo. Sempre haverá por quê buscar e
levantar a cada manhã, sonhando com algo por-vir. Será que existe mesmo a tal
plenitude que o homem, consciente ou inconscientemente, tanto almeja?
E
existir, então, ser homem, ser humano, é isso. É "ser" se desdobrando
nessas condições. De uma eterna ambiguidade entre ser e não-ser, de eterna
busca, escolhas, de sempre efêmeras conquistas, sobretudo de eterna
insegurança. Sim. Porque a insegurança é parte do que somos, assim como a
finitude o é. A busca por segurança, enquanto humanos, é a negação de uma
condição que é puramente humana.
Nesse
emaranhado de conceitos que elaboramos para tentar distrair o fato de que somos
esse difícil, ou quase indecifrável, ser-no-mundo, o que se torna realmente
mais importante, é ouvir a própria existência. É tentar calar as vozes “das
pessoas” dentro de nós, tentar calar a rude relação que tantas vezes estabelecemos
com nossos afazeres diários, os medos, os pavores, as paredes que tão
rigidamente construímos em volta de nós mesmos, e, com todo cuidado e empenho,
ouvir a nós mesmos. Como existimos... Como nos desdobramos no mundo... Como
administramos as situações, as vivências que a vida nos propôs... Eximindo o
mundo da culpa por nossos muitos problemas, quem tem a tarefa de administrar
tudo, somos nós mesmos. Então, como estamos elaborando esta tarefa?
A
maior tarefa do ser humano, e mais nobre, é a inalienável tarefa de cuidar de
ser. Sobretudo, de ser feliz. De cuidar de si. Do que se é, na essência. E
ainda que protelemos ao extremo, é esta tarefa que baterá às portas da nossa
consciência sempre que pararmos para refletir na vida. E por que protelamos?
Por medo? Por que as máscaras nos tomam muito tempo? Por que nos angustiamos ou
amedrontamos ao estar diante do que somos de verdade? Por que preferimos
defender sempre que vida nos deve alguma coisa?
Sejam
quais forem os motivos, não muda nada. A vida não deve nada a ninguém. E o
acolhimento e força, sempre necessária, para mudar, sair do lugar em que se
está e alçar vôos mais seguros e autênticos na própria existência, vem sempre
de nós mesmos. É certo que podemos contar com alguma ajuda externa, mas,
sozinha, essa ajuda morre em si mesma. Não adianta esperar, na exterioridade
das coisas, a recompensa, a motivação, o ânimo necessário para fazer o próprio
mundo se transformar em algo melhor. É nossa tarefa. Faz parte do nosso
existir. Então, que as reflexões que venham surgir nessa travessia, que é a
vida, representem sempre um convite para dentro de nós mesmos. Para conhecermos
a nós mesmos. Para nos encontrarmos e construirmos uma nova forma de existir no
mundo. Conscientes do que realmente somos, poderemos efetuar as mudanças
necessárias para alcançarmos nossos potenciais, e sermos muito mais felizes.
Nenhum comentário:
Postar um comentário