O Silêncio é a oração dos sábios.
Augusto Cury
Augusto Cury
A verdadeira oração reflete uma
espiritualidade piedosa, devocional, diária, íntima e essencial à vida. Sem
oração, a fé cristã não passa de uma pretensão vazia. A oração que não depende
de resultados, a oração que é movida unicamente pelo desejo em desenvolver
amizade com o Pai, em amor e intimidade... essa é a oração que o Deus, Todo
Poderoso, se inclina para ouvir.
Quando descobri que Deus esta
aquém da doutrina, do credo, do sucesso, do fracasso, que Ele é minha origem, meu
destino, meu início e fim, então eu pude orar. Quando pude enxergar o Deus que
lava, supre e completa, percebi que minha oração vai muito além do que posso
dizer. Na verdade, na maioria das vezes, a fala é apenas distração na oração,
pois quanto mais se fala, menos se ouve.
Confesso que até pouco tempo
atrás, eu não sabia orar. E ainda estou aprendendo. Aos poucos os conceitos
prontos impressos em mim estão sendo rompidos e percebo que quanto mais aprendo
orar, menos falo.
Sempre me causou espanto e
estranheza a forma como algumas pessoas falam com Deus. Eu, que cresci entre
crentes, sempre mantive uma certa distância das orações em público,
especialmente pelo fato de não saber proferir aquelas palavras tão grandiloquentes
que ouvia ao meu redor. Nenhuma daquelas palavras traziam a dimensão de um Deus
pessoal pra mim, não traziam Deus para o silêncio do meu coração, não mostravam
a face de um Deus que me via de fato como sou, ali, humana e completamente
falível. Sentia como quem prepara a casa para receber visitas e, com esforço,
tenta mostrar o que há de melhor em todos os sentidos. Tudo bem em relação às
visitas, mas com Deus, ah, com Deus o papo é reto!
Eu entendia a oração como
petição, como desabafo emocional. Pura pretensão!... Foram necessários alguns
desertos na vida para que eu percebesse que nas situações adversas, as palavras
se tornam patéticas, insignificantes e insuficientes. Há momentos em que só as lágrimas descrevem
nosso silêncio e nossa dor. Mas, é justamente nessa ausência de pretensão, no
nada saber dizer, que há oração. Ah!... E Como Deus acolhe essa oração! Porque
nesse momento, tudo que realmente importa, foi dito. Mesmo não tendo dito
palavra alguma. Esse é o momento em que a oração valida o meu refletir, o meu existir e meu
o agir como realidades verdadeiramente cristãs. É nesse momento que Ele enche o
meu vazio de sentido!
A oração traz Deus para o
silêncio do nosso quarto. É lá onde Ele sempre está. Quando o grito da minha
alma só sussurra o desejo de estar com Ele. No quarto da oração, meu Pai me enche
de sentido e desfaz qualquer quadro aflitivo. Estou aprendendo que quando o caos me visita,
é lá no quarto da oração onde recebo o pão de que minha alma precisa. O
suprimento do amanhã está lá. E saio satisfeita pois certa de que todas as
necessidades já estão supridas Nele.
Já tive em mim um ventre faminto,
que por vezes, tenta novamente me dominar. Uma alma que não gostava de si mesma
e, por isso, necessitava de constantes reforços externos, bajulações e
conquistas... Mas, no quarto da oração,
eu fui e estou sendo curada! É lá que a água da vida é liberada a mim. É lá que
descubro a vida abundante como sendo a riqueza de serenidade e satisfação com
aquilo que é, de fato, mais simples e elementar na vida.
Tenho visto pessoas tão
infelizes! Muitas delas conhecedoras do evangelho. Vivendo suas vidas baseada
no mérito e demérito das conquistas da vida, na busca de respostas a conflitos,
vendo a vida como conquista e não como dádiva. Não sabem que é na oração que
Cristo é formado em nós e, em consequência, somos formados Nele, num processo
que implica cura da auto estima e de todos os traumas e vazios
existenciais. A oração transforma as
pessoas.
Tenho uma forte ligação com algumas
pessoas que amo ao passo que sofro as suas dores e sinto o chamado à oração
quando elas não estão bem de alguma forma. No entanto, a despeito das minhas
tentativas de intervenção pessoal, moro distante da maioria delas, logo,
recorro sempre à oração quando cessam meus recursos. Deus sabe que elas são
objeto recorrente em meus discursos... Porém, meus discursos nada podem fazer
senão desenvolver em mim mesma mais amor e cuidado por elas. Sabendo quão
limitada sou, como eu poderia pedir algo ao Eterno sobre a vida de pessoas das
quais só conheço aquilo que elas mostram a mim?
Então, em atitude de submissão
diante de quem tudo sabe, sigo falando menos, opinando menos, procurando não
julgar, e sigo orando... Às vezes em silêncio, mas com profunda compreensão de
que Nele está todo Amém.
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