3 de abril de 2013

O Quarto da Oração.



O Silêncio é a oração dos sábios.
Augusto Cury

A verdadeira oração reflete uma espiritualidade piedosa, devocional, diária, íntima e essencial à vida. Sem oração, a fé cristã não passa de uma pretensão vazia. A oração que não depende de resultados, a oração que é movida unicamente pelo desejo em desenvolver amizade com o Pai, em amor e intimidade... essa é a oração que o Deus, Todo Poderoso, se inclina para ouvir.
Quando descobri que Deus esta aquém da doutrina, do credo, do sucesso, do fracasso, que Ele é minha origem, meu destino, meu início e fim, então eu pude orar. Quando pude enxergar o Deus que lava, supre e completa, percebi que minha oração vai muito além do que posso dizer. Na verdade, na maioria das vezes, a fala é apenas distração na oração, pois quanto mais se fala, menos se ouve.
Confesso que até pouco tempo atrás, eu não sabia orar. E ainda estou aprendendo. Aos poucos os conceitos prontos impressos em mim estão sendo rompidos e percebo que quanto mais aprendo orar, menos falo.
Sempre me causou espanto e estranheza a forma como algumas pessoas falam com Deus. Eu, que cresci entre crentes, sempre mantive uma certa distância das orações em público, especialmente pelo fato de não saber proferir aquelas palavras tão grandiloquentes que ouvia ao meu redor. Nenhuma daquelas palavras traziam a dimensão de um Deus pessoal pra mim, não traziam Deus para o silêncio do meu coração, não mostravam a face de um Deus que me via de fato como sou, ali, humana e completamente falível. Sentia como quem prepara a casa para receber visitas e, com esforço, tenta mostrar o que há de melhor em todos os sentidos. Tudo bem em relação às visitas, mas com Deus, ah, com Deus o papo é reto!
Eu entendia a oração como petição, como desabafo emocional. Pura pretensão!... Foram necessários alguns desertos na vida para que eu percebesse que nas situações adversas, as palavras se tornam patéticas, insignificantes e insuficientes.  Há momentos em que só as lágrimas descrevem nosso silêncio e nossa dor. Mas, é justamente nessa ausência de pretensão, no nada saber dizer, que há oração. Ah!... E Como Deus acolhe essa oração! Porque nesse momento, tudo que realmente importa, foi dito. Mesmo não tendo dito palavra alguma. Esse é o momento em que a oração valida o meu refletir, o meu existir e meu o agir como realidades verdadeiramente cristãs. É nesse momento que Ele enche o meu vazio de sentido!
A oração traz Deus para o silêncio do nosso quarto. É lá onde Ele sempre está. Quando o grito da minha alma só sussurra o desejo de estar com Ele. No quarto da oração, meu Pai me enche de sentido e desfaz qualquer quadro aflitivo.  Estou aprendendo que quando o caos me visita, é lá no quarto da oração onde recebo o pão de que minha alma precisa. O suprimento do amanhã está lá. E saio satisfeita pois certa de que todas as necessidades já estão supridas Nele.
Já tive em mim um ventre faminto, que por vezes, tenta novamente me dominar. Uma alma que não gostava de si mesma e, por isso, necessitava de constantes reforços externos, bajulações e conquistas...  Mas, no quarto da oração, eu fui e estou sendo curada! É lá que a água da vida é liberada a mim. É lá que descubro a vida abundante como sendo a riqueza de serenidade e satisfação com aquilo que é, de fato, mais simples e elementar na vida.
 Tenho visto pessoas tão infelizes! Muitas delas conhecedoras do evangelho. Vivendo suas vidas baseada no mérito e demérito das conquistas da vida, na busca de respostas a conflitos, vendo a vida como conquista e não como dádiva. Não sabem que é na oração que Cristo é formado em nós e, em consequência, somos formados Nele, num processo que implica cura da auto estima e de todos os traumas e vazios existenciais.  A oração transforma as pessoas.
Tenho uma forte ligação com algumas pessoas que amo ao passo que sofro as suas dores e sinto o chamado à oração quando elas não estão bem de alguma forma. No entanto, a despeito das minhas tentativas de intervenção pessoal, moro distante da maioria delas, logo, recorro sempre à oração quando cessam meus recursos. Deus sabe que elas são objeto recorrente em meus discursos... Porém, meus discursos nada podem fazer senão desenvolver em mim mesma mais amor e cuidado por elas. Sabendo quão limitada sou, como eu poderia pedir algo ao Eterno sobre a vida de pessoas das quais só conheço aquilo que elas mostram a mim?
Então, em atitude de submissão diante de quem tudo sabe, sigo falando menos, opinando menos, procurando não julgar, e sigo orando... Às vezes em silêncio, mas com profunda compreensão de que Nele está todo Amém.


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