5 de abril de 2013

O Conhecimento de Deus como Experiência Vivencial.




O Existencialismo é uma filosofia que considera a existência como ponto de partida para a sua reflexão. Tal abordagem afirma que a angústia existencial é o processo em que o indivíduo volta-se pra si mesmo, numa busca de  entender seu vazio. É o processo pelo qual todos um dia passarão, no qual as distrações da vida não farão mais sentido e a única saída é procurar o real significado da existência. Esse é o cerne da Fenomenologia existencial, que explica bem o processo de auto conhecimento humano. No entanto, onde ficam extintas as explicações do existencialismo, Deus começa sua pedagogia.
A busca por sentido só será inteiramente satisfeita no encontro do homem com Deus. Com efeito, o vazio do coração do homem tem o tamanho exato de Deus. Porém, o conhecimento de Deus, se não for alcançado pelo viés de uma experiência vivencial, nada produzirá de transformação no homem, a não ser conhecimento puramente teórico.
À medida que conhecemos Deus, entendemos o quão sábios são seus ensinamentos. A Bíblia, como livro de referência, não supera aquilo que criamos conceitualmente em nós mesmos através do caminhar com Jesus em nós, da experiência cotidiana com ele. O processo de conhecimento de Deus é individual, é intrínseco, deve surgir como uma vivência completamente particular.
Isso explica por que o relacionamento com Deus não é algo mensurável, quantificável ou qualificável por meio das pesquisas científicas. A ciência nunca conseguirá comprovar, com instrumentos práticos, a existência de Deus, porque a existência de Deus só é reconhecida em nós mesmos. Minha experiência com Deus comprova para mim sua existência. Já sua experiência com Deus pode ter outros delineamentos e peculiaridades que são conhecidas somente por você e Deus. Assim, a existência de Deus se comprova na vivência de cada um com ele.
Os conceitos e novas formas de vida que surgem desse caminhar junto com seu criador, vão em contrafluxo do que o homem aprende em sociedade. Aparentemente paradoxais, os conceitos de amor e graça no mundo moderno são como uma peça perdida de um quebra cabeça desconhecido. Nunca conseguiremos, de fato, experienciar em sua totalidade o amor e a graça de Jesus, porque fomos ensinamos a nos colocar no centro, a priorizar e buscar o próprio prazer e satisfação a todo custo e, quanto mais rápido isso for alcançado, melhor. No entanto, o caminhar com Deus anda na contramão de qualquer conceito hedonista.
 Na verdade, o auto conhecimento associado à caminhada com Deus promove no homem um esvaziar-se de si e voltar-se para o outro. É um processo de cuidar do outro através do cuidado de si mesmo. Ame ao próximo como a si mesmo. Esse movimento de tirar-se do centro melhora qualitativamente os relacionamentos interpessoais do homem e, por isso mesmo, muda o mundo ao ser redor.
No caminho com Deus, você descobre o caminho do seu próprio coração. E vê que as lições que vieram prontas não geram resultados, e é necessário vivenciar algo único e essencial. Sim. Deus é um Deus de caminhada. Ele vai junto. Sofre junto. Se alegra junto. Conquista junto. Mas, é um passo de cada vez. Porque Deus sabe quem somos, conhece nossa estrutura e sabe que qualquer mudança instantânea não geraria em nós aprendizado com consciência, nem mudanças efetivas em nossas vidas.
Particularmente, existem traços em mim que gostaria que fossem transformados instantaneamente; quem dera aquilo que nos imperra nossa personalidade em ser mais livre, que impede nossa completa saúde emocional fosse ligeiramente transformado, revisto ou abandonado. Mas, afinal, qual seria o propósito efetivo disso? Caminhando junto com Ele, você entende que o fim que espera não é tão importante quanto o durante. O processo pelo qual passamos até chegarmos onde desejamos gera em nós uma aprendizagem tão importante e crucial ao nosso crescimento como pessoa, que o fato de chegarmos onde queríamos se torna um detalhe.
Deus nos transforma gradualmente. Ele vai na contramão da pressa do mundo. O exercício da paciência e do descanso são tão difíceis porque vivemos em uma sociedade em que a rapidez define a eficiência das pessoas. Os processos são muito rápidos, é necessário ter várias habilidades, o fluxo de informações torna possível saber de tudo ao mesmo tempo, os prazeres e satisfações das experiências tem que vir rápido, tudo é instantâneo, até a comida virou "fast food"...
No entanto, em nenhum outro momento histórico, o homem foi tão doente e vazio de si mesmo. A essência do homem não foi criada para processar as mudanças tão rapidamente. O tempo, que deveria ser aliado do homem, hoje é visto como seu maior inimigo. Corremos contra o relógio para darmos conta de todas as tarefas do dia a dia. Mas, é no relógio de Deus onde encontramos a calma pra respirar, repensar, refletir, sossegar, caminhar no compasso Dele, voltar a ser quem somos de verdade.
Desconfio de algumas pessoas e instituições que pregam cura e transformação instantâneas. Não consigo mesmo compreender que "surto psicológico" é esse que apaga traços da personalidade humana num piscar de olhos... Os delineamentos da personalidade humana se desenvolvem e se solidificam durante toda a vida. Não é fácil para o ser humano mudar algo que ele vivenciou durante toda a sua vida. Por isso mesmo, para que haja mudança, é necessário um processo, que às vezes é lento, dependendo da rigidez ou flexibilidade e, principalmente, da disponibilidade de cada um para mudar.
Na pressa, Nós nos perdemos no caminho.  São tantas exigências a serem atendidas. São tantas obrigações e tantas expectativas em torno de nós, que deixamos em algum lugar do caminho o essencial... Nos tornamos perversos com nós mesmos.
As pessoas somatizam doenças psicológicas, criam conflitos, surtam, se debatem. Se tornam tão infelizes por querer entender, por tentar explicar tudo, mas não querem pagar o preço de dar um passo de cada vez. Eu quero e quero agora. E se não for agora, vou procurar outros meios. O problema é que outros meios que nos deserdam da grandiosa bênção de caminhar com vida.
Deus tem saúde para nós. Saúde para o corpo, para a mente. Deus é o criador de toda estrutura psicológica. Não surpreendemos Deus em absolutamente nada. Deus conhece nossos limites, nossas potencialidade, nossa força, nosso cansaço. Deus não nos perde de vista e não abre mão, sob hipótese alguma, do seu Trono.
Outro dia conversando com um amigo, dividindo e compartilhando essas coisas da vida, eu falava para ele como eu sempre preferi as pessoas angustiadas e questionadoras, porque elas me pareciam mais profundas e mais suscetíveis a mudar. Ele, uma pessoa que possui uma profundidade estranhamente linda, também traz consigo uma grande tristeza residual por respostas existenciais que procura há anos, sem contudo chegar a uma solução satisfatória. A palavra tristeza aqui soaria mal se não houvesse em todo seu quadro uma clara tendência ao crescimento e amadurecimento como pessoa e como alguém que caminha com Deus.
Talvez o momento histórico de sua vida não tenha exatamente as definições que você sonha, mas se você caminha com Deus, passo a passo, é certo, você chegará bem ao seu fim, com vida, e vida em abundância.


Um comentário:

  1. Simples como Deus quer, mas desde "No princípio criou Deus..." muitas coisas acontecem nas regiões celestes para nos impedir de ser sensíveis à Sua voz e vê-Lo em nós. Aceitar tudo sem questionar é uma delas, porque em essência Ele está em nós, questionar é divino, Ele nos deu essa capacidade, não nos criaria e não nos deixaria como um pai que não orienta um filho que quer aprender.

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