No fim, acho que minhas maiores preocupações vão ser: ‘quanto
amor recebi na vida? Como reparti o meu amor? Quem me amou?
A quem eu amei? Para a vida de quem eu tive importância? Que
serviço prestei ao mundo?’. Tenho certeza de que minha única preocupação
será: ‘Terei ou não preenchido minha vida com amor?’
CARLSON e SHIELD
A vida é mesmo muito
interessante!... A forma como tudo muda repentinamente, a possibilidade de
pensarmos as mesmas coisas de diferentes modos, o desenrolar de uma existência
sempre será o que há de mais intrigante, complexo e belo. E nesse desenrolar,
percebo que a análise existencial da condição humana não pode acontecer,
inegavelmente, sem se pensar primeiramente pela vertente do amor. É o amor, que
toma conta, que absorve, que contamina e faz com que sentimentos, desejos e
inconstâncias pessoais possam aflorar, sem mesmo que a própria pessoa possa
controlar ou impedir.
A capacidade de sentir amor,
e de amar enfrenta uma encruzilhada existencial quando nasce de uma vivência de
completude que na verdade nunca é plena. Mas justamente desta incompletude vive
o amor, o desejo, o prazer, e também o desprazer. A capacidade de amar é então
um paradoxo humano essencial. A própria alegria deriva do amor. Como estar
alegre por algo que não se ama?
Esse sentimento tão falado
tem importância crucial em todos os processos humanos.
Mas, como descrever o
indizível? Como descrever a lágrima que cai dos olhos de quem ama? Como
descrever uma saudade, um sorriso, um abraço apertado num momento que se
precisa, um beijo apaixonado, uma palavra amiga numa hora de dor... Palavras
não descrevem o amor. Palavras o nomeiam através das tantas vertentes pelas
quais ele se manifesta. Porque amor não se diz. Amor se vive. Quem olha de
longe descreve, no raso, o que não sente. E como escrever aquilo que não se
sente? Amar só se aprende amando.
Pelo amor as coisas se
criam. Por amor, todo o universo foi criado. Por amor, se estabelecem laços.
Por amor, a vida segue. O amor é a maior válvula de motivação do ser humano.
Investe-se, com ou sem esforço, em tudo que se ama. Por amor, renuncia-se. O
amor determina a atitude básica da vida. O amor move e promove as relações. O
amor é a base do encontro com o outro. No amor está o cerne da existência
humana.
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